O presidente Lula é um excelente orador, com impressionante capacidade de improviso e grande facilidade para responder a perguntas incômodas - embora não haja perguntas incômodas, apenas respostas inconvenientes. Chamou a atenção, portanto, a dificuldade com que falou a O Estado de S.Paulo sobre o Mensalão. E essa dificuldade vem desde que o Mensalão foi denunciado: na ocasião, Lula disse que foi traído, mas não disse por quem, nem quando, nem como. Agora, prometeu que vai investigar o caso ao deixar o Governo. "Quero saber de algumas coisas que não sei e que me pareceram muito estranhas". Justo; mas por que não investigar agora, que tem o poder nas mãos, que comanda a Abin e a Polícia Federal, e deixar para depois, quando já não terá quem faça o serviço? Há realmente coisas muito estranhas. Quem denunciou o Mensalão foi o presidente nacional do PTB, deputado Roberto Jefferson. Jefferson continua na presidência nacional do PTB e o PTB continua na base do Governo. Depois de uma denúncia dessas, por que não deixou o Governo? Por que o Governo o aceita? Há os dólares na cueca, que antecederam em muito o dinheiro nas cuecas e nas meias do Panetonegate. Até hoje não se sabe qual a origem dos dólares, nem qual seria seu destino. Como não se sabe a origem do dinheiro dos aloprados, que tentavam comprar um dossiê contra José Serra. Como não se sabe para que o braço direito da hoje candidata Dilma Rousseff, Erenice Guerra, fazia um dossiê contra Ruth Cardoso. São coisas estranhas. Um enigma dentro de um mistério.
Volta à tona, neste início de ano político, uma noção que andou nos perseguindo ao longo do ano passado. Nem bem terminou o carnaval, o noticiário se concentra, de novo, na discussão dos “palanques” dos candidatos a presidente nas eleições deste ano.
Esse talvez seja um dos temas que mais separam os jornalistas dos profissionais de pesquisa na avaliação do processo eleitoral no Brasil. Entre os primeiros, muitos tendem a ficar como que galvanizados por eles. Não conseguem escrever uma linha sem os mencionar. Os segundos, de maneira geral, acham que não mudam nada nas eleições.
Supostamente, bons palanques se traduziriam em votos. Ou seja: quando um candidato a presidente tem muita gente no seu palanque, suas chances de vencer aumentariam. Como na frase: “Voto em fulano porque beltrano está em seu palanque”. Leia mais.
Helena tornou-se uma coroa gostosa, morena, dessas que a morte mata, e depois chora com pena, como disse o poeta. Ao nos encontrarmos caminhando na orla da Jatiúca, ela foi cobrando: “Só você pode fazer um movimento para retornar os carnavais antigos, você é meu saudosista predileto que ama essa cidade”. Continuamos andando, tentei explicar a amiga que não sou saudosista; saudosista é a pessoa que vive do passado, acha tudo do passado melhor e mais bonito. De fato algumas coisas foram melhores, como o romantismo, a ingenuidade. Entretanto, muitas coisas da era moderna são-me imprescindíveis: computador, celular, televisão, “pen-drive”. Outra diferença enorme entre as épocas está nas mulheres, hoje são mais bonitas e sensuais. Elas têm o mercado da beleza a seus pés. E os vestidos, hein? Os vestidos são belíssimos em tecidos finos, às vezes transparentes, realçam as curvas insinuantes das mulheres, principalmente a bunda, às vezes, de tão curto, mostra ao vivo e a cores as pernas delicadamente tratadas. Uma mulher bem vestida fica mais sensual que a nua. Tem mais! Na hora do aperto as mini-saias são de alta praticidade. Antigamente, além do vestido abaixo do joelho, as mulheres usavam anáguas, muitas vezes três, arredondando a forma do vestido. Na hora “H” era uma tremenda mão-de-obra! Leia mais.
Mão invisível por trás da crise que assola a capital da República, o ex-governador Joaquim Roriz não pensa em outra coisa que não seja viabilizar sua candidatura ao governo do Distrito Federal.
Mas ele pode sofrer respingos do escândalo que implodiu o governo de seu ex-aliado e hoje principal inimigo político, José Roberto Arruda. Parte dos desvios de dinheiro público que vêm sendo detalhados por Durval Barbosa, o ex-secretário de Relações Institucionais, ocorreu durante o governo Roriz e, numa segunda etapa da Operação Caixa de Pandora, deverá entrar na mira da Procuradoria da República e da Polícia Federal. (Vasconcelo Quadros no Jornal do Brasil) Leia mais.
O general de Exército Maynard Marques de Santa Rosa confidenciou a amigos da caserna que prepara para o dia 31 de março, quando entra para a reserva, um discurso mais ferrenho e crítico do que o e-mail que o derrubou da chefia do Departamento Geral de Pessoal do Exército. Será feito para os militares da cúpula da Força no Centro de Inteligência do Exército (CIE), em Brasília. Maynard ganhou o noticiário depois que vazou uma mensagem eletrônica na qual criticava veementemente a Comissão da Verdade, proposta pela Secretaria de Direitos Humanos para investigar possíveis crimes de tortura ocorridos durante o período da ditadura militar. Hoje, o general faz parte da cúpula do Exército, como adido no gabinete do comandante Enzo Peri. (Jornal do Brasil)
Embora a fala de Lula sobre os perigos dos palanques duplos tenha incluído bronca leve no PT de Minas, dividido entre dois pré-candidatos enquanto um peemedebista lidera as pesquisas, o PMDB interpretou as palavras do presidente como um recado aos seus postulantes e sobretudo ao ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), que pretende enfrentar na Bahia Jaques Wagner, um governador não apenas petista como próximo do presidente. Escaldado, o PMDB enxergou mensagem subliminar também na ameaça de Lula de não ir aonde houver encrenca. Aí, o destinatário seria o queixoso Sérgio Cabral. Mas o governador do Rio não quer exclusividade? Sim, mas neste caso é o Planalto que investe no segundo palanque, de Anthony Garotinho (PR). (Folha de S.Paulo)
Governo tentou interferir no fisco ao menos quatro vezes
O governo tentou interferir nos trabalhos de fiscalização da Receita Federal em pelo menos quatro grandes casos entre o final de 2008 e meados do ano passado: Ford, Santander, Petrobras e nas empresas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Os dois últimos episódios tiveram ampla repercussão no ano passado. Em relação à montadora americana e ao banco espanhol, a Folha revela agora informações inéditas. A começar pelos valores dos autos de infração sobre as duas empresas, de R$ 1,2 bilhão e R$ 4 bilhões, respectivamente. No caso da Ford, a ingerência partiu do ministro Guido Mantega. Em abril do ano passado, Mantega pediu informações à cúpula do fisco sobre uma auditoria na unidade da montadora na Bahia. Recomendou cuidado no trabalho dos fiscais. Semanas depois, a Receita autuou a fabricante de automóveis, alegando utilização indevida de incentivos fiscais. A reportagem falou com três pessoas que participaram das conversas sobre o episódio, sob a condição de não terem suas identidades reveladas. Contaram que Mantega e o secretário-executivo do ministério, Nelson Machado, pediram com todas as letras que a cúpula da Receita tentasse reverter a multa. O ministro argumentou que um auto daquele valor, em ano de crise global, iria dificultar novos investimentos da montadora no país. No caso do Santander, executivos do banco levaram as reclamações sobre a ação da Receita diretamente ao Planalto. Mais uma vez, as queixas chegaram aos ouvidos de Mantega. No final de 2009, a Folha questionou o ministro, que não negou as conversas no fisco. "Converso com o secretário da Receita sobre várias empresas. Não posso declinar publicamente as empresas. Há empresas autuadas, multadas, que reclamam, que acham que foram injustiçadas ou que estão sofrendo alguma coisa. É natural que a gente converse, dentro da preservação do sigilo fiscal", disse na época. "Conversei sobre várias empresas. Mas não houve mudança de procedimentos, sobre nenhum caso." O episódio da família Sarney ganhou dimensão nacional por conta do embate entre a ex-secretária do fisco Lina Maria Vieira e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Em entrevista à Folha, a ex-secretária disse que a ministra havia lhe pedido, numa reunião a sós no Palácio do Planalto, para "agilizar" a fiscalização nas empresas do senador, o que Lina entendeu como um recado para encerrar logo a investigação. Dilma negou o pedido e o encontro. Ainda na gestão de Lina, o fisco aplicou um auto de infração bilionário na Petrobras. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, foi ao presidente Lula dizer que a multa era um absurdo. Semanas depois, Lina foi demitida do cargo. Procurados, Ford e Santander não se manifestaram. (Leonardo Souza com colaboração de Catia Seabra na Folha de S.Paulo)
A Receita Federal decidiu delimitar a fiscalização de grandes contribuintes no ano eleitoral. Portaria sigilosa editada às vésperas do Natal, à qual a Folha teve acesso, centraliza o controle de auditorias em Brasília, reduz a autonomia dos fiscais pelo país e evita surpresas ao governo como as com a Ford e o Santander em 2009. Autuados em R$ 1,2 bilhão e R$ 4 bilhões, respectivamente, a montadora e o banco foram ao Planalto reclamar. Na ocasião, o ministro Guido Mantega (Fazenda) ficou contrariado com a magnitude das multas, num período de recuperação da economia, mas nada pôde fazer, pois as punições já haviam sido formalizadas. A portaria RFB/Sufis de nº 3.324, de 23 de dezembro passado, praticamente elimina a possibilidade de o governo ser pego de novo de surpresa. Agora, o comando da Receita selecionará previamente grandes empresas que serão fiscalizadas. A lista será feita pelo órgão central do fisco, em Brasília, e por superintendentes (cargos de confiança nomeados pelo secretário da Receita). Nenhuma das delegacias fiscais pelo país poderá agir isoladamente contra grandes contribuintes que não estiverem na relação -se tiverem novas suspeitas, terão de submeter os nomes aos superiores. O subsecretário de Fiscalização da Receita, Marcos Vinícius Neder, autor da portaria, diz que as medidas têm caráter técnico, seguem padrão internacional adotado por países como EUA e Japão e que a centralização aumentará o alcance das auditorias, garantindo proteção aos direitos dos contribuintes. "Não adianta querer fiscalizar os grandes, é preciso saber fiscalizar os grandes", disse. (Leonardo Souza) Leia mais na Folha de S.Paulo.
Esqueça as propostas supostamente radicais apresentadas no Congresso do PT. Esqueça, aliás, o próprio Congresso. Não passa de "uma feira de produtos ideológicos", em que "as pessoas compram o que querem e vendem o que querem". Não, não é a avaliação de algum subintelectual de direita, para roubar a expressão de Dilma Rousseff/Marco Aurélio Garcia, mas da pessoa que mais entende de PT, por ter sido seu idealizador, por ser seu líder de toda a vida e por ser a única figura verdadeiramente popular de um partido que se pretende popular. Sim, é de Luiz Inácio Lula da Silva que estou falando. As aspas do primeiro parágrafo correspondem a frases suas em entrevista publicada sexta-feira pelo "Estadão". Alguma chance de as propostas da feira, digo, do PT, serem incorporadas por um governo Dilma? Zero, sempre segundo Lula: "Não há nenhum crime ou equívoco no fato de um partido ter um programa mais progressista do que o governo. (...) O partido, muitas vezes, defende princípios e coisas que o governo não pode defender". O governo Dilma será mais do mesmo, deixa claríssimo o presidente que inventou a candidata: "Quero crer que a sabedoria do PT é tão grande que o partido não vai jogar fora a experiência acumulada de ter um governo aprovado por 72% na opinião pública depois de sete anos no poder. Isso é riqueza que nem o mais nervoso trotskista seria capaz de perder". Nem trotskista nem petista de qualquer coloração. As declarações de Lula, de um meridiano sentido comum, mostram que, menos do que uma "feira", o Congresso do PT é a "xepa", o fim de feira em que o pessoal se diverte, lançando uma pilha de teses a que nem os próprios autores prestam atenção porque sabem que o espetáculo é Lula e que Dilma pouco ou nada comprará da "feira".
Na contramão de outros países que vêm conseguindo reduzir a queima da gás natural, a Petrobrás registrou em 2009 um aumento desta queima em grandes proporções. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), a estatal atingiu uma média de 9,38 milhões de m³ queimados em suas plataformas por dia no ano passado, o que representa um aumento de 56,5% sobre a queima média diária em 2008. O volume é recorde em um ano e coloca o Brasil no oitavo lugar em queima de gás no mundo, num ranking em que a campeã, Rússia, reduziu sua queima em 10% em 2009 sobre 2008. Há dois anos, o Brasil era o 17º nesse ranking.
De acordo com especialistas consultados pelo Estado, considerado o valor de US$ 7 por milhão de BTU (British Termal Unit) cobrados pela companhia para entregar o gás natural no maior mercado consumidor do País, que é São Paulo, a Petrobrás deixou de ganhar em 2009 algo em torno de R$ 1,5 bilhão. (Kelly Lima em O Estado de S.Paulo) Leia mais.
Um projeto de governo mais à esquerda, estatizante e intervencionista, com Dilma Rousseff na Presidência, transpõe fronteiras e começa a ser conhecido mundo afora. Na quarta-feira o jornal espanhol El País publicou reportagem em que afirma que o projeto de Dilma "consagra uma maior e mais decisiva presença do Estado na economia". E observa: "Para Rousseff, o grande desafio, se ganhar as eleições, será superar o peso de 25 anos de estancamento da economia e das políticas econômicas." Nesses 25 anos, analisa o jornal, "ela coloca também os 8 anos do governo Lula, embora seja rápida para notar que com Lula aprendemos o caminho".
Ainda desconhecidas no exterior, as diferenças entre Lula e Dilma - de estilo e de conteúdo mais do que se imagina - acendem um sinal amarelo de desconfiança entre chefes de Estado de países aliados. Afinal, o projeto do socialismo bolivariano de Hugo Chávez seria bem-visto pela candidata? O perfil autoritário e inflexível de Dilma, menos fanfarrão que o de Chávez, mas não menos duro, ajudaria a empurrá-la para o grupo Venezuela-Equador-Bolívia? Ela seria capaz de romper contratos, expropriar empresas privadas, calar emissoras de rádio e de TV?
Hoje a resposta certamente é não. No Brasil não há mais espaço para tanto recuo nem Dilma tem carisma político de liderança populista capaz de manipular a população desinformada como fazem Chávez e companheiros. Mas ela tem, sim, um projeto de governo diferente do de Lula e tudo fará para realizá-lo. (O Estado de S.Paulo) Leia mais.
Diante da perspectiva de enfrentar uma janela de tempo estreitíssima no horário gratuito da propaganda eleitoral na TV, os responsáveis pelo marketing político da pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, miram a internet com avidez. Já criaram um blog para a senadora, montaram um perfil no Facebook e a puseram no Twitter - para que possa se comunicar de maneira mais direta e rápida com eleitores.
Ainda são trabalhos experimentais, que passarão por completa reformulação nas próximas semanas. Mas tanto o blog quanto o Twitter já permitem à senadora debater de maneira mais ampla assuntos delicados e polêmicos - como o aborto e o ensino do criacionismo nas escolas - e também expor publicamente aspectos de sua vida privada. (Roldão Arruda em O Estado de S.Paulo) Leia mais.
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), a vice-prefeita, Alda Marco Antonio (PMDB), e alguns vereadores e/ou suplente tiveram o mandato cassado pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Resende Silveira. O motivo, segundo confirmou o juiz ontem ao Estado, é o recebimento de doações consideradas ilegais na campanha de 2008. Entre as doadoras, estão a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) e outras empresas concessionárias de serviços públicos que são impedidas por lei de colaborar com campanhas.
Kassab e Alda receberam a doação via Comitê Municipal ou via Diretório Nacional dos partidos. Os vereadores condenados, que teriam recebido diretamente, não tiveram seus nomes revelados pelo juiz, que se limitou a informar que foram nove os julgados desta vez. A sentença deverá ser publicada no Diário Oficial de Justiça de terça-feira.
A sentença cassa o diploma do prefeito e de sua vice e os torna inelegíveis por três anos. Ultrapassadas todas as etapas de recursos, em todas as instâncias, e mantidas as cassações, quem assumiria a Prefeitura seria o presidente da Câmara, Antonio Carlos Rodrigues (PR). Ele e outros seis vereadores aguardam julgamento pelo mesmo motivo que levou Kassab à condenação. (Roberto Fonseca e Fabio Leite em O Estado de S.Paulo) Leia mais.
A internet deve se transformar, cada vez mais, em terreno dos políticos. A previsão de quem trabalha com a rede mundial de computadores ou atua no campo do marketing político é de que não há escapatória. Se deseja ser deputado estadual ou federal, senador ou governador, em Pernambuco ou em qualquer outro estado brasileiro, o candidato precisa ter o perfil e as propostas ao alcance dos internautas. E, além disso, estarem abertos ao diálogo com o eleitor. Em especial, com os eleitores mais jovens, que fazem da internet uma continuidade do bate papo na escola ou no bar, recorrendo às redes sociais, como Twitter, Orkut, Facebook e YouTube.
"Será uma eleição em tempo real como nunca foi", antevê o presidente da Link Comunicação, Edson Barbosa. A Link cuidou do marketing da campanha do governador Eduardo Campos (PSB) em 2006. Trabalhar em tempo real, entende Barbosa, está intimamente ligado à interatividade. A velha lógica do candidato que fala e o eleitor que escuta, comoocorre nos guias de rádio e TV, tende a perder força. Deve prevalecer o caminho da mão dupla, como argumenta Scott Goodstein, marqueteiro da campanha do presidente norte-americano Barack Obama. Para ele, o candidato deve procurar saber, via internet, o que os eleitores pensam e tirar as dúvidas deles. (Jailson da Paz no Diário de Pernambuco) Leia mais.
Em maio do ano passado, uma reunião na residência oficial de Águas Claras criou mal-estar entre integrantes da cúpula da área de Segurança Pública do Distrito Federal. Oito pessoas participaram do encontro. Ouviram um questionamento do governador José Roberto Arruda. Ele queria saber se Marcelo Toledo, a quem se referiu como leal colaborador, estava sendo investigado e afirmou que não queria ser surpreendido.
Àquela altura, Toledo já tinha sido fisgado na rede das interceptações telefônicas da Polícia Civil que apurava esquema de lavagem de dinheiro envolvendo doleiros no DF, com remessas vindas do Rio de Janeiro, por meio de empresas de fachada. Dinheiro que passava pelo Banco de Brasília (BRB). A operação foi batizada de Tucunuré. Enquanto Arruda colhia informações sobre a investigação, no jardim de Águas Claras Toledo passeava. No grupo, o clima foi de constrangimento por parte de alguns. Arruda deixou claro que teria de ser informado de tudo e ainda alertou para ações de grupos na polícia ligados a Joaquim Roriz. (Diário de Pernambuco) Leia mais.
O presidente Lula teve novo encontro com dirigentes do PSB, na semana antes do carnaval. Ouviu que o partido não tem pressa para tomar uma decisão sobre a candidatura de Ciro Gomes. Os socialistas disseram que é a oposição que tem que estar aflita por não ter ainda um candidato. E conseguiram pelo menos uma coisa: antecipar as negociações com o PT sobre as alianças regionais.
O presidente Lula já havia conversado com o PSB em 28 de janeiro para tentar convencer o partido a desistir da pré-candidatura de Ciro Gomes. Na ocasião, passou mal e foi internado com uma crise de hipertensão.
Ao retomar a conversa agora, os socialistas insistiram na tese de que ter duas candidaturas da base aliada seria melhor do que uma eleição plebiscitária, para garantir um segundo turno.
Na reunião, os socialistas aproveitaram para contemporizar os ataques feitos por Ciro Gomes ao PT. O PSB começou anteontem a fazer pesquisas de intenção de voto, um dia após a exibição do programa nacional de TV do partido. (O Globo)
O governo Lula corre o risco de terminar sem conseguir aprovar projetos alardeados ao longo dos dois mandatos como importantes para o equilíbrio das contas públicas. Dois exemplos estão entre as propostas lançadas no pacote de medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): o projeto que cria o regime de previdência complementar para o funcionalismo público federal e a proposta que limita o crescimento da despesa com a folha de pessoal da União. Os projetos foram enviados ao Congresso ainda em 2007 e ficaram nas gavetas da Câmara por falta de vontade política, inclusive da base aliada, para aprová-los.
Somente no final de 2009, depois de muita pressão da Fazenda, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), conseguiu aprovar uma versão do projeto sobre o teto da folha de pagamento do funcionalismo, mas, como 2010 é ano eleitoral, não deve ser votado na Câmara até dezembro.
Planalto tentará evitar reajuste do salário mínimo
Há um ano, O GLOBO já mostrava a falta de vontade política de votação dessas matérias. Em 2010, a situação dos projetos é quase a mesma, e a pauta prevista pelos próprio governo está composta apenas pelos projetos do pré-sal e 11 medidas provisórias. Sendo que em três dessas MPs haverá uma "blindagem" especial do Planalto para evitar sua aprovação: são as que tratam do reajuste do salário mínimo, do reajuste para as aposentadorias acima do mínimo, e do programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida".
Num exemplo das dificuldades do governo de colocar suas ideias em votação, os projetos do pré-sal, por exemplo, terão sua votação na Câmara concluída no dia 10 de março, sendo que a previsão inicial era de votação em novembro de 2009.
Na última quinta-feira, o próprio líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), deixou claro que o governo não permitirá que seja votado nenhum projeto que possa trazer desgaste político em ano eleitoral. Dentro dessa tática, o governo vai excluir da pauta, até mesmo, a votação da Consolidação das Leis Sociais, cujo envio ao Congresso foi anunciado com pompa pelo presidente Lula.
Projetos que tratam de contas públicas acabaram se transformando em "eternos gargalos" do governo. No caso do projeto que fixa um teto para o crescimento das despesas com pessoal nos três Poderes, a proposta original previa um limite de 1,5% mais a inflação pelo IPCA do período. Depois de ficar em banho-maria por dois anos, Jucá conseguiu aprovar uma versão mais amena para os políticos e menos rigorosa para as contas públicas: com teto de 2,5% ao ano mais a inflação. (Cristiane Jungblut em O Globo)
Oposição vai questionar programas nas áreas de educação e saúde
Para o presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), o PT vai tentar repetir a estratégia do segundo turno da eleição presidencial de 2006, quando começou a disseminar que a oposição acabaria com as políticas sociais promovidas pelo governo, como o Bolsa Família. Guerra descartou o fim do programa, mas avisou que o PSDB pretende criar políticas complementares para torná-lo mais eficiente.
- O Bolsa Família tem duas consequências saudáveis: tira da miséria absoluta muita gente e distribui melhor a renda. Mas as economias locais das áreas onde se concentra o programa não se desenvolveram. Queremos montar políticas para que isso aconteça.
A oposição pretende atacar as políticas do governo voltadas para a saúde e educação. (O Globo) Leia mais.
"O terrorismo virá e será forte no campo das políticas públicas"
Mal começou o debate eleitoral, tucanos e petistas já andaram trocando farpas sobre a chamada política macroeconômica - inflação, câmbio e gastos públicos -, questão central do principal documento do 4º Congresso do PT e foco de campanhas anteriores. Mas, diferentemente do passado recente, o tema não deve permanecer no centro da campanha presidencial por muito tempo. Declarações desastradas dos dois lados podem dar margem a novos curto-circuitos, mas esse embate ficará restrito aos políticos, acreditam especialistas ouvidos pelo GLOBO.
Em junho de 2002, diante da tensão às vésperas da primeira eleição de Lula, instalou-se uma clima de terrorismo nos mercados financeiros. O grau de tensão foi tamanho que o PT se viu obrigado a assinar a "Carta ao Povo Brasileiro". O documento tinha por objetivo acalmar investidores dentro e fora do Brasil e, assim, conter a alta do dólar e o risco-país durante a campanha ao firmar o compromisso de não romper com o modelo de gestão econômica do governo FH. À época, atribuíam-se às oscilações do mercado incertezas sobre como o PT daria seguimento à política econômica em vigor. (Vivian Oswald em O Globo) Leia mais.
"Caixa dois é erva daninha; arranca uma e outra nasce"
O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Cesar Asfor Rocha, que decretou a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, acredita que o caso será exemplo para autoridades envolvidas em corrupção. Para ele, a decisão pode inibir até o caixa dois nas campanhas eleitorais deste ano. Com a experiência de quem ocupou quase todos os cargos estratégicos do Judiciário, compara o caixa dois à erva daninha: pode ser combatida, mas não extirpada.
O GLOBO: Pela primeira vez, um governador, em pleno exercício, foi preso. A que se deve essa conjunção de decisões? CESAR ASFOR ROCHA: À contundência da prova coletada. A discussão era saber se poderia haver alguma situação em que um governador poderia ter sua prisão preventiva decretada sem prévia autorização da Câmara Distrital para que fosse iniciada ação penal. O tribunal entendeu que, na hipótese de obstrução do andamento processual, com as evidências contundentes que havia, seria possível a decretação da prisão preventiva e o afastamento do governador independentemente de haver ou não autorização da Câmara Distrital.
Como se chegou à decisão de chamar a Corte Especial para deliberar? ASFOR ROCHA: O procuradorgeral da República, Roberto Gurgel, esteve aqui (no STJ) apresentando o pedido de prisão preventiva às 14 horas de quinta-feira, véspera da semana do carnaval. O ministro Fernando Gonçalves (relator) provocou a presidência. Disse que iria tomar uma decisão, mas gostaria de uma manifestação do tribunal imediatamente. Tendo em vista a absoluta relevância do caso, era de bom alvitre que houvesse uma manifestação do tribunal. Houve compreensão por parte de todos os colegas de que a matéria era urgente.
Outros governadores, outras autoridades são alvos de investigações. É possível que decisões similares aconteçam? ASFOR ROCHA: É, sem dúvida nenhuma, uma sinalização que o Judiciário dá, embora não tenha agido com esse propósito. É uma sinalização no sentido de que qualquer que seja a importância do réu, o Judiciário vai aplicar a lei.
Casos como esse podem ter reflexo na diminuição de caixa dois na eleição? ASFOR ROCHA: Ainda que não tenhamos tido preocupação nesse sentido, a decisão do STJ é emblemática, histórica, porque é a 1ª vez que um governador é preso no exercício do mandato, sem autorização da casa legislativa. No mínimo, se em alguma entidade federativa tiver alguém praticando atos de corrupção, essas pessoas estarão preocupadas. Se o governador do DF foi preso e afastado do exercício do seu mandato, todos têm que ficar com uma preocupação mais acentuada. Fui corregedor eleitoral. É muito difícil acabar com o caixa dois. Só há uma forma de acabar com o caixa dois na campanha eleitoral: acabar com o caixa dois (no dia a dia). Se não acabar com o caixa dois, vai ter caixa dois na campanha.
O senhor fala de caixa dois no setor empresarial? ASFOR ROCHA: No setor produtivo, nas empresas particulares. Só tem esse jeito: os meios de inibição do caixa dois estão crescentes. Temos o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) com uma atuação extraordinária. Temos a PF mais atuante, inclusive pelos instrumentos tecnológicos de que dispõe. Combatendo o caixa dois no dia a dia, vai se combater o caixa dois nas eleições. Mas é uma praga, uma erva daninha, arranca uma e outra nasce. Mas tenho certeza que vai ser mais difícil a utilização de caixa dois. (Jailton de Carvalho em O Globo)
A crise política que varre o Distrito Federal e levou à prisão o governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), conseguiu unir governo e oposição em torno de um ponto: a rejeição à intervenção federal proposta pelo Ministério Público. Mesmo deputados oposicionistas, que usam a ameaça de intervenção como arma para fazer andar os pedidos de impeachment ou forçar a renúncia de Arruda e do governador em exercício, Paulo Octávio (DEM), resistem à medida.
O deputado federal Geraldo Magela (PT-DF), pré-candidato ao governo do DF, defende a saída de Arruda e Paulo Octávio. A argumentação é que a linha sucessória deve ser seguida à risca.
Ou seja, que assumam o cargo, pela ordem: o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR); o vice-presidente da Câmara, Cabo Patrício (PT); e o presidente do TJ, Nívio Gonçalves. (O Globo) Leia mais.
A política de reajuste salarial dos servidores federais aumentou o abismo entre a remuneração média dos funcionários públicos e da iniciativa privada. Cálculos do professor Nelson Marconi, da FGV-SP e da PUC-SP, mostram que o salário dos servidores federais estatutários, que têm direito a benefícios como estabilidade e aposentadoria integral, são 101,3% maiores que o ganho dos funcionários da iniciativa privada, considerando dados de 2008. Em 2002, antes do governo Lula, essa diferença era de 78,9%. A comparação leva em conta aspectos como gênero, raça, anos de estudo e área de atuação.
Conclusão semelhante foi obtida em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao governo federal. Mesmo com metodologia diferente, os pesquisadores do instituto constataram que, entre 1998 e 2008, a diferença salarial a favor dos funcionários públicos cresceu. Por esse estudo, em 1998, o salário médio dos servidores era 33% maior do que os dos setor privado. Em 2008, a diferença chegou a 56%. (O Globo) Leia mais.
Empenhado em fortalecer a presença do Estado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só engordou a máquina pública como a tornou bem mais cara. Ao mesmo tempo em que o Executivo elevou em 13% o número de servidores nos últimos sete anos, a despesa com cada funcionário federal da ativa aumentou mais: 60%, já descontada a inflação do período. Mas, diferentemente do que disse ontem a ministra Dilma Rousseff, ao ser lançada pelo PT como pré-candidata à Presidência, o aumento não foi geral nem priorizou áreas como Saúde, Educação e Segurança.
Enquanto na Presidência da República, que reúne várias secretarias de governo, o número de funcionários mais que dobrou, na Saúde o aumento de pessoal foi um dos menores.
Em 2002, eram 3.147 funcionários na Presidência. Agora somam 7.906 (150% a mais). Na Advocacia Geral da União, o aumento do número de funcionários foi de 431%. Na Saúde, o aumento foi mínimo: o setor tinha 103.634 funcionários em 2002 e agora tem 104.160 — aumento de 0,5%. Na Educação, o aumento do número de servidores foi de 19,2%. (Gustavo Paul em O Globo) Leia mais.
O jurista e professor Plínio de Arruda Sampaio completa 80 anos em julho. Autor dos primeiros documentos da história do PT, Plínio deixou o partido em 2005, depois de sentir que, internamente, a minoria de esquerda não “chegaria à maioria”. É um dos principais nomes do PSOL e faz campanha como pré-candidato a presidente da República pelo partido.
É apoiado por uma lista de intelectuais que faria inveja a qualquer universidade. Com saudade do PT que ajudou a fundar, Plínio afirma que o petismo deu lugar ao lulismo, e que o partido já se desviava de sua rota desde a primeira campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989. “Tenho orgulho de ter fundado o PT. Não assinei a ata de fundação, mas, a pedido do Lula, fiz a primeira proposta de estatuto do partido”.
O GLOBO: Analistas dizem que a posição de concessão caracteriza o presidente Lula. O lulismo venceu o petismo? PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO: Totalmente. O lulismo destruiu o petismo. Quem não destruiu, sugou. O “petista petista” está traumatizado. Se eu pudesse, empacotava o manifesto de lançamento do partido e mandava para eles. Falava: o PT propôs isso, e, em 30 anos, desviouse. É um belo documento, dos explorados contra os exploradores, apresenta um socialismo democrático. Desviou-se para ser esse partido de caciques.
O senhor saiu do PT em 2005, depois do mensalão. PLÍNIO: Não saí por causa do mensalão. Disputei a presidência do PT no meio do mensalão, contra Berzoini. Saí porque, numa democracia, a minoria pode virar maioria; mas constatei que, do jeito que está o PT, ninguém vence a direção.
Qual sonho o PT abandonou? PLÍNIO: Essas coisas não são de uma vez: o sujeito não é honesto hoje e amanhã fica desonesto. O sujeito concede. O começo do desvio foi uma análise equivocada da eleição de 1989, quando perdemos por 2%. Em 1994, a análise era a de que “perdemos porque nosso discurso é radical e não fazemos alianças que não sejam de esquerda. Temos de nos entender com todo o empresariado do capital e precisamos rebaixar o programa”.
Que papel o mensalão tem nesse processo? PLÍNIO: Ele é consequência. A política burguesa não se faz sem caixa dois. Só que, no PT, não souberam fazer isso. Alguns se corromperam pessoalmente, outros se corromperam só politicamente; e a reação a isso foi péssima, cínica: “Fiz porque todos fazem”. É inaceitável.
Quando vê o trabalho do governo Lula, pensa que, num governo de direita, seria igual? PLÍNIO: Não tem diferença substancial, mas tem uma diferença importante. Você tem 70 milhões de brasileiros em situação melhor. Uns 20 milhões, porque a renda aumentou, com acesso aos eletrodomésticos. E tem 50 milhões de pessoas que pelo menos estão recebendo R$ 100 por mês. Essas pessoas estão satisfeitas; e isso explica os 80% de aprovação do Lula. É a cultura do favor: esse que recebeu atribui a um favor do Lula e quer pagar esse favor, com o quê? Com o voto. É um assistencialismo muito bem colocado. E, para a burguesia, é uma mão na roda: a população tranquila e ela mamando à vontade.
Na questão agrária, como foi o governo? PLÍNIO: Um descalabro, uma coisa perigosa. A perpetuação da pobreza no Brasil começa no campo e reforça-se na educação. Lula fez clara opção pelo agronegócio. Fiz o plano de reforma agrária do governo, que não foi cumprido. Cortaram pela metade, para 500 mil. Aí maquiam, inventam que titulação de terra é reforma agrária. Título de terra é questão jurídica, não política de Estado.
Não tem saudade do PT? PLÍNIO: Como não? Tenho enorme saudade. Foi o primeiro partido que o povo construiu. O povo levou 500 anos para conseguir um grau de paciência e articulação que permitiu fazer um partido. No começo do PT, era uma delícia. Acabou.
Mantém amigos no PT, mesmo José Dirceu? PLÍNIO: Sim, sempre separei as coisas. Eu e José Dirceu somos antípodas. Sempre um esteve de um lado e o outro, de outro. Menos na questão do vice do Lula em 89, em que nos unimos para boicotar o Gabeira. Nós dissemos: eleição é coisa séria, não vamos colocar o Gabeira (diz, rindo).
O professor Helio Bicudo disse que, num segundo turno, votaria em José Serra. E o senhor? PLÍNIO: Quero votar em mim. Mas, se estiverem os dois (Dilma e Serra), voto nulo. (Tatiana Farah em O Globo)
Há duas premissas básicas em campanha eleitoral, que talvez até o mais leigo sobre o assunto concorde com elas sem contra-argumentar. A primeira é a de que o chamado programa partidário, que pela lei deveria ser usado em favor da divulgação das ideias e programas dos partidos políticos, nunca é utilizado para esse fim. A segunda é a de que a força da exposição na mídia eletrônica, na televisão sobretudo, é quase condição imperativa ao alavanque de uma candidatura. O que poucos sabem é de que forma estrategicamente os partidos definem como e quando deve ser o uso desse espaço midiático. Vamos pegar como exemplo a atual pré-campanha eleitoral.
Quando se abriu no TSE o prazo de escolha dos períodos para exibição do programa partidário, aquele que as legendas têm direito ao ano, (um de 10 minutos e dois dias de 4 inserções), a tropa de José Serra correu para jogar os seus e a consequente exibição do tucano bem lá para a frente do calendário eleitoral. PSDB, DEM e PPS só chegarão à telinha quase às vésperas da campanha oficial. Por que isso? Porque postergar o tempo de exibição de Serra é parte da estratégia de fazer com que ele entre mais forte na campanha propriamente dita. Não agora, quando desfruta de um recall que o mantém na casa dos 40%, mesmo não se anunciando verbalmente candidato a presidente.
Já a tropa da ministra Dilma Rousseff, excetuando o PSB que insiste em ter um candidato, antecipou-se ao máximo ao calendário e levou a petista à mídia eletrônica num período bem mais cedo. Dilma precisava crescer logo. Chegar à campanha sem força desmobilizaria a militância e desacreditaria o eleitor da candidatura dela. Como se vê pela marcação dos tempos de cada lado, no primeiro tempo do jogo eleitoral, quem dominará a mídia eletrônica no final da pré-campanha serão as oposições. Resta saber se conseguirão bater o tempo ganho anteriormente pelos governistas.
O ex-prefeito do Recife João Paulo (PT) decidiu inovar: afirmou na manhã de ontem, via Twitter, que iria conceder uma entrevista coletiva pelo microblog para dizer que resolvera disputar a prévia no PT para a vaga no Senado na chapa encabeçada pelo governador Eduardo Campos, candidato à reeleição. Em outro recado, no início da tarde, disse que a coletiva virtual seria entre as 14h e 14h20. Mas terminou cancelado a entrevista. De acordo com a assessoria do ex-prefeito, o petista passou o dia envolvido nas atividades do 4º Congresso Nacional do partido e, por isso, não teve tempo de “twittar”.
Na terceira postagem do dia, o ex-prefeito escreveu: “Após discurso de Lula, e o café da manhã com o ex-pref. de Guarulhos, Elói Pietá, me convenci em disputar a prévia ao Senado em PE”. A ideia da coletiva virtual foi da ex-secretária municipal de Comunicação Ruth Vieira, exonerada pelo prefeito João da Costa (PT) no final de janeiro. Pessoa de confiança de João Paulo, ela foi demitida num processo tumultuado, exposto inclusive no Twitter e fruto da separação do ex-prefeito e o sucessor.
João Paulo tem revelado gosto pelo microblog. Escreve com frequência diária, quase sempre sobre política. Ora sobre o PT e a pré-candidatura à Presidência da ministra Dilma Roussef (Casa Civil), ora sobre sua agenda. Mas aproveita também para soltar ironias ou trocar farpas com integrantes da oposição, como a deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB), outra usuária do Twitter. (Jorge Cavalcanti no Jornal do Commercio) Assinante do jornal ou do UOL leia mais.
"Se eu for candidato, a cúpula não vai atrapalhar"
Fundador e ex-presidente do PMDB, o senador Jarbas Vasconcelos reforça as críticas à direção nacional da legenda e sua aproximação com o PT. Visto como uma pedra no sapato pelo PMDB governista, ele, no entanto, não pensa em sair sem a aprovação de uma reforma política. Mas não acredita em punição aos dissidentes nem em retaliações da cúpula, caso decida ser candidato a governador. E afirma estar disposto a liderar, no País, um bloco de apoio à candidatura de José Serra (PSDB).
JC - Como fica a sua relação com a cúpula do PMDB? Pensa em sair do partido?
JARBAS - Eles não me procuram e eu não os procuro. Às vezes me encontro com Michel (Temer), mas nos falamos pouco. Eu continuarei dissidente, votando no Senado como achar melhor. Meu desconforto é antigo, mas mudança de partido só posso pensar quando tivermos uma reforma política séria. Mas eles (a direção nacional) me deixam quieto, porque sabem que se se meterem comigo, eu vou até o fim. E não sou eu quem tem munição para usar contra o PMDB. É todo mundo no País.
JC - Pode haver retaliação aos diretórios dissidentes, talvez uma intervenção da nacional?
JARBAS - Não acredito em intervenção. Já estivemos muito mais expostos aqui em Pernambuco e eles não nos pegaram. Também não vão nos pegar por infidelidade, porque vamos puxar um bloco inteiro de dissidentes. Seria impraticável expulsar todo mundo. Tem dissidentes em São Paulo, com Orestes Quércia, no Paraná, em Santa Catarina, no Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul também deve ter, não se sabe ainda a posição do partido por lá. E que moral essa direção nacional tem para punir dissidentes? Eles têm problemas no currículo, fazem política do toma lá-dá cá. Não vão lavar roupa suja em ano eleitoral.
JC - O senhor se diz disposto a andar pelo País em busca de reforços para José Serra...
JARBAS - Eu me disponho a fazer isso, junto com Quércia, Luiz Henrique, Requião e quem mais quiser. Eu tinha dito ao próprio Serra, lá atrás, que o PMDB não o apoiaria, porque não iria trocar o filé pelo osso. Não iriam largar os cargos no governo. Nas minhas contas, os dissidentes não chegam a 10% do PMDB. Podemos até cooptar mais gente, encontrar pessoas insatisfeitas. Mas seremos minoria.
JC - A dissidência não pode levar a cúpula a ameaçar uma eventual candidatura sua ao governo?
JARBAS - Não tenho nada decidido sobre isso. Mas se eu resolver ser candidato, não acho que a direção nacional vai me atrapalhar. Essa direção não tem condições políticas de enfrentar ninguém.
JC - Há um ano o senhor deu uma entrevista à Veja criticando o PMDB. Mudou alguma coisa?
JARBAS - Nada! Eles deram aquela nota oficial contra mim, e pronto. Eu sabia que eles não iam mudar. Continuam mamando muito no governo. Eu concordo quando Egídio Ferreira Lima diz que o PMDB perdeu o objetivo depois da redemocratização. Foi criado para ser o conduto da insatisfação popular com o regime, mas depois, em vez de se atualizar, ficou perdido sem as bandeiras que defendia e virou uma federação de líderes regionais. Uma geléia geral. (Sérgio Montenegro Filho no Jornal do Commercio)
Se depender dos peemedebistas pernambucanos, as decisões tomadas pela direção nacional do partido – eleita no dia 6 deste mês – a respeito da participação da legenda na sucessão presidencial não terão o menor efeito por essas bandas. Visto como o principal foco de rebeldia dentro do PMDB, o diretório estadual da sigla praticamente boicotou o encontro nacional realizado antes do Carnaval, em Brasília. E está pronto para ignorar o resultado da convenção de junho, que deverá oficializar a aliança com o PT e o apoio à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Em Pernambuco, os peemedebistas estão, mais do que nunca, fechados com o tucano José Serra. E o líder maior do partido, senador Jarbas Vasconcelos, adianta sua disposição de comandar um movimento pelo País afora, juntamente com outros dissidentes, com o objetivo de angariar apoio para Serra. Entre os “rebeldes” declarados, além dos pernambucanos, estão os diretórios estaduais de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Mas, segundo Jarbas, a expectativa é de atrair mais focos para o palanque tucano em outros Estados, a exemplo do Rio Grande do Sul. (Sérgio Montenegro Filho no Jornal do Commercio) Assinante do jornal ou do UOL leia mais.
Aos poucos, aspirantes ao Piratini provam o microblog
Se prometem exercer papel de destaque na disputa pela sucessão de Lula, as redes de relacionamento por enquanto tem participação bem mais discreta na corrida ao Palácio Piratini. Dos seis postulantes ao governo do Estado, metade tem intimidade com as ferramentas virtuais: Beto Albuquerque (PSB), Luis Augusto Lara (PTB) e Yeda Crusius (PSDB). O trio costuma alimentar pessoalmente seus microblogs, intercalando mensagens sobre suas vidas pessoais e suas rotinas de trabalho.
Yeda revela que a iniciativa de criar um perfil no Twitter foi uma tentativa de mostrar seu lado pessoal. Por conta disso, procura falar no site sobre coisas de que gosta, como “flores e música”.
Enquanto a governadora dedica parte das madrugadas para abastecer seu blog e seu microblog, caciques tucanos do Estado estão preocupados em obstruir eventuais ataques pela internet a Yeda na disputa eleitoral. Um grupo estratégico já foi criado pelos líderes do partido para discutir como se defender das acusações que devem inundar a campanha.
No outro extremo da corrida digital, José Fogaça (PMDB), Tarso Genro (PT) e Pedro Ruas (PSOL) são considerados candidatos praticamente “analógicos”. O prefeito da Capital, que tem um perfil oficial no Twitter, está desde abril do ano passado sem atualizar sua página no site.
Tarso e Ruas, outros legítimos políticos da “velha-guarda”, penam para lidar com as inovações da internet.
O vereador do PSOL, apesar de exibir perfis no Twitter e no Orkut, admite que quem atualiza os sites é sua assessoria. Já o petista, revela sua filha, Luciana Genro, mal sabe manusear a rede mundial.
– Ele (Tarso) tem muita dificuldade em lidar com computadores. O pai aprendeu a mandar e-mails faz um ano, mais ou menos – conta. (Fabiano Costa no Zero Hora)
Lula privilegia em reajustes a elite do funcionalismo público
Desde o primeiro ano do governo Lula, as categorias da elite do funcionalismo estão entre as principais beneficiadas com grande s aumentos salariais. Funcionários das áreas jurídica e financeira, como procuradores do Banco Central, analistas de finanças e planejamento e auditores fiscais, além dos servidores do Itamaraty, da Polícia Federal e da Abin, receberam reajustes que variaram de 157% a 281%, informa Regina Alvarez. O governo também tornou mais cara a máquina pública. Ao mesmo tempo em que o Executivo elevou em 13% o número de servidores nos últimos sete anos, a despesa com cada funcionário federal da ativa subiu em média 60%, mostra Gustavo Paul. Mas, enquanto na Presidência da República o efetivo mais que dobrou, na Saúde o aumento de pessoal foi um dos menores, apenas 0,5%. Na Educação, o número de servidores subiu 19,2%.
Dilma faz defesa de Estado forte e prega estabilidade
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, 62, foi oficializada ontem pré-candidata única do PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prometendo um governo de coalizão, manter estabilidade econômica e promover avanços na área social. Durante sua fala, ela não entrou em temas polêmicos e fez questão de dizer que seu programa inda não foi elaborado. A cautela aparece um dia depois de o congresso do PT ter incluído nas diretrizes de seu plano de governo propostas da ala mais à esquerda do partido. Retomando pontos do discurso feito pouco antes por Lula, Dilma reafirmou a proposta de fortalecimento do Estado, "recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país".
Indicada pré-candidata do PT, Dilma prega Estado forte
Indicada ontem como pré-candidata do PT à Presidência, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) defendeu o fortalecimento do Estado em seu discurso. Ela enfatizou a determinação de "continuar valorizando o servidor público" e "reconstituindo o Estado" e rebateu as críticas de que o PT inchou a máquina pública. Por outro lado, Dilma afirmou que a preservação da estabilidade econômica, do equilíbrio fiscal, o controle da inflação e do câmbio flutuante será a base das ações de seu governo. "Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. Não haverá retrocesso nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente", disse ela. Boa parte das promessas se concentrou na área social. "As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância até a vida adulta".
Despesas médicas na mira do Fisco
Quem recorre às despesas médicas para dar um aliviada na declaração de Imposto de Renda terá de se precaver. A Receita Federal apertou o cerco a esse tipo de mecanismo para aumentar o abatimento, obrigando hospitais, clínicas, laboratórios e médicos autônomos a entregarem uma declaração com datas de atendimentos, nome do paciente e tipo de procedimentos realizados. Os dados serão cruzados com as declarações dos pacientes. se não forem aceitas, o contribuinte terá o desconto negado e ainda pagará multa de 75% do valor declarado indevidamente.
Poder e luxo
Diretamente envolvidos no escândalo da propina, os parlamentares da Câmara Legislativa querem dar as cartas na sucessão do Distrito Federal. Eles negociam uma emenda na Lei Orgânica que tira a possibilidade de o presidente do Tribunal de Justiça assumir o Buriti e permite a eleição indireta de um governador, com mandato-tampão até 31 de dezembro. Não fosse a crise que coloca Brasília sob ameaça de uma intervenção federal, os parlamentares já teriam estreado um espetáculo de desperdício: a nova sede do Legislativo local. Com um custo três vezes acima do previsto de R$ 42 milhões em 2001 para R$ 120 milhões este ano, o prédio está pronto. Mas, atropeladas pelas denúncias, suas excelências não se mudaram até o momento para os requintados gabinetes. O Correio conheceu a milionária obra que possui 48 mil metros quadrados de área construída. São 10 pavimentos, sendo três apenas para estacionamento privativo, com mil vagas.
Mais um motim
O cenário era de guerra outra vez. Sob tensão desde a última terça-feira, o Centro de Assistência Socioeducativa (Case) de Abreu e Lima, no Grande Recife, voltou, ontem, a registrar motim. Os internos destruíram 30 computados e queimaram móveis e documentos. O Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiu a unidade, que tem 98 vagas e abriga 326 pessoas. Não houve feridos.